quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Estás desempregado? Teu amor sumiu? Calma: sempre pode pintar uma jamanta na esquina!



Tenho um amigo, cujo nome, por muitas razões, não posso dizer, conhecido como o mais dark. Dark no visual, dark nas emoções, dark nas palavras: darkésimo. Não nos conhecemos a muito tempo, mas imagino que, quando ainda não havia darks, ele já era dark. Do alto de sua darkice futurista, devia olhar com soberano desprezo para aquela extensa legião de paz e amor, trocando flores, vestida de branco e cheia de esperança.Pode parecer ilógico, mas o mais dark dos meus amigos é também uma das pessoas mais engraçadas que conheço. Rio sem parar do humor dele- humor dark, claro. Outro dia esperávamos um elevador, exaustos no fim da tarde, quando de repente ele revirou os olhos, encostou a cabeça na parede, suspirou bem fundo e soltou essa: -"Ai, meu Deus, minha única esperança é que uma jamanta passe por cima de mim..." Descemos o elevador rindo feito hienas. Devíamos ter ido embora, mas foi num daqueles dias gelados, propícios aos conhaques e às abobrinhas.

Tomamos um conhaque no bar. E imaginamos uma história assim: você anda só, cheio de tristeza, desamado, duro, sem fé nem futuro. Aí você liga para o Jamanta Express e pede: -"Por favor, preciso de uma jamanta às 20h15, na esquina da rua tal com tal. O cheque estará no bolso esquerdo da calça". Às 20h14, na tal esquina (uma ótima esquina é a Franca com Haddock Lobo, que tem aquela descidona) , você olha para esquina de cima. E lá está- maravilha!- parada uma enorme jamanta reluzente, soltando fogo pelas ventas que nem um dragão de história infantil. O motorista espia pela janela, olha para você e levanta o polegar. Você levanta o polegar: tudo bem. E começa a atravessar a rua. A jamanta arranca a mil, pneus guinchando no asfalto. Pronto: acabou. Um fio de sangue escorrendo pelo queixo, a vítima geme suas últimas palavras: -"Morro feliz. Era tudo que eu queria..."

Dia seguinte, meu amigo dark contou: - "Tive um sonho lindo. Imagina só, uma jamanta toda dourada..." Rimos até ficar com dor na barriga. E eu lembrei dum poema antigo de Drummond. Aquele Consolo na Praia, sabe qual? "Vamos não chores / A infância está perdida/ A mocidade está perdida/ Mas a vida não se perdeu" – ele começa, antes de enumerar as perdas irreparáveis: perdeste o amigo, perdeste o amor, não tens nada além da mágoa e solidão. E quando o desejo da jamanta ameaça invadir o poema – Drummond, o Carlos, pergunta: "Mas, e o humour?" Porque esse talvez seja o único remédio quando ameaça doer demais: invente uma boa abobrinha e ria, feito louco, feito idiota, ria até que o que parece trágico perca o sentido e fique tão ridículo que só sobra mesmo a vontade de dar uma boa gargalhada. Dark, qual o problema?

O mais dark dos meus amigos tem esse poder, esse condão. E isso que ele anda numa fase problemática. Problemas darks, evidentemente. Naja ou não, Deus (ou Diabo?) guarde sua capacidade de rir descontroladamente de tudo. Eu, às vezes, só às vezes, também consigo. Ultimamente, quase não. Porque também me acontece – como pode estar acontecendo a você que quem sabe me lê agora - de achar que tudo isso talvez não tenha a menor graça. Pode ser: Deus é naja, nunca esqueça, baby.Segure seu humor. Seguro o meu, mesmo dark: vou dormir profundamente e sonhar com uma jamanta. A mil por hora.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Iniciação - CFA'



Seria sem sentido chorar, então chorei enquanto a chuva caía porque estava tão sozinho que o melhor a ser feito era qualquer coisa sem sentido. Durante algum tempo fiz coisas antigas como chorar e sentir saudade da maneira mais humana possível: fiz coisas antigas e humanas como se elas me solucionassem. Não solucionaram. Então fui penetrando de leve numa região esverdeada em direção a qualquer coisa como uma lembrança depois da qual não haveria depois. Era talvez uma coisa tão antiga e tão humana quanto qualquer outra, mas não tentei defini-la. Deixei que o verde se espalhasse e os olhos quase fechados e os ouvidos separassem do som dos pingos da chuva batendo sobre os telhados de zinco uma voz que crescia numa história contada devagar como se eu ainda fosse menino e ainda houvesse tias solteironas pelos corredores contando histórias em dias de chuva e sonhos fritos em açúcar e canela e manteiga.


"Fico tão cansada às vezes, e digo para mim mesma que está errado, que não é assim, que não é este o tempo, que não é este o lugar, que não é esta a vida. (...) então eu não sentia nada, podia fazer as coisas mais audaciosas sem sentir nada, bastava estar atenta como estes gerânios, você acha que um gerânio sente alguma coisa? quero dizer, um gerânio está sempre tão ocupado em ser um gerânio e deve ter tanta certeza de ser um gerânio que não lhe sobra tempo para nenhuma outra dúvida..."

segunda-feira, 12 de setembro de 2011



Extremamente difícil, minhas obviedades possuem mapas complexos, os inúmeros x apontando o local exato do tesouro são quase todos falsos, eivados de selvas emaranhados, lagos barrentos infestados de piranhas, crocodilos famintos, pigmeus vorazes, caçadores de cabeças, tigres enfurecidos, ninhos de serpentes, pestes tropicais, febres malignas, curares e tisanas. Mas para o bom caçador, e aprendi também a importância de deixar o caçador supor ser caçador quando na verdade é o caçado, eu, pantera astuciosa de garras afiadas, andar felino, ferocidades invisíveis…

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

...




Eu tento preencher minha vida com o vazio das palavras das músicas que ouço. Eu tento caminhar com as próprias pernas a fim de não depender do caminho que meus dedos seguirão. Eu tento engolir as lágrimas para não aguar o construído. Eu tento não olhar para trás, porque só o passado tem o poder de remeter-me às mais diversas sensações e ocasiões, e minha mente e meu coração continuam sempre me dizendo “tente nunca se lembrar do que foi ruim”.
Eu tento sorrir com um ar falso de compaixão a fim de jamais ferir os já feridos. Muitas vezes eu não consigo isso. Eu tento me segurar enquanto miro meus olhos que mesmo sem poder falar uma só palavra, dizem tudo, toda verdade omitida pela fala. Será que todos estão pensando que tenho as mesmas preocupações fúteis de uma sociedade falida? Oh não, oh sim. Penso no indiferente, no acabado, no que farei, no que deixei de falar e no que eu gostaria de ter feito. Ofensas vindas de todo lado que hoje me divertem. Ligava, liguei, não ligo mais, não ligarei. Quem se importa? O que me importa ? Me importar tentar seguir em frente. Minha auto-destruição é a minha única luta, porque eu não jogo para perder.


"Chorei três horas, depois dormi dois dias.Parece incrível ainda estar vivo quando já não se acredita em mais nada. Olhar, quando já não se acredita no que se vê. E não sentir dor nem medo porque atingiram seu limite. E não ter nada além deste amplo vazio que poderei preencher como quiser ou deixá-lo assim, sozinho em si mesmo, completo, total.

Ando meio fatigado de procuras inúteis e sedes afetivas insaciáveis."

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Um vício.

Tenho certos vícios, mas a maioria deles não é por mero acaso. Vicio nas coisas às quais me identifico. Avenged é um dos meus vícios clássicos e é justamente por falar muito sobre o que eu penso. Então reuni alguns trechos e mais ou menos o que eles representam pra mim. (não citarei os nomes das músicas, uma medida 'anti-posers' rs)

Primeiro, sobre o meu grande problema:


Eu perco a cabeça toda vez que pedem que eu me comprometa. Porque tenho medo e estou preso ao meu jeito de ser. E é assim que as coisas são. Por quanto tempo eu esperei que o amor superasse a ignorância? Pela expressão no seu rosto, devo ter forçado a barra até o limite! Eu não sou louca, eu não sou louca! (Mãe) Volte pra mim, é quase fácil. (Totalmente deprimida) Volte novamente, é quase fácil! A vergonha pulsa no meu coração por causa das coisas que eu fiz pra você. É difícil de encarar, mas permanece o fato de que nada disso é novidade. Deixei pra você um cupido com lembranças suicidas, tento disfarçar meu egoísmo, mas no fundo eu não sou louca. Agora que perdi você, me mata dizer (machuca dizer). Tentei te segurar enquanto você escapava aos poucos. Estou perdendo a batalha. Te tratei tão mal, agora me deixe corrigir meu erro. Eu não sou louca, eu não sou louca.. Não mesmo!

Agora, sobre um 'gostar' bem diferente desses 'Eu te Amo' clichês do nossos dias..
Eu encontrei você aqui, agora, por favor, fique por um tempo. Eu posso seguir em frente com você por perto. Eu te asseguro minha vida mortal, mas isto será para sempre? Eu faria qualquer coisa por um sorriso, segurando você até nosso tempo acabar. Nós dois sabemos que o dia irá chegar, mas eu não quero te deixar. Nova vida substituindo todos nós, mudando esta fábula que vivemos. Não precisamos mais ficar aqui, então para onde iremos? Você faria uma jornada esta noite, me seguiria além das paredes da morte? Mas, e se não houver vida eterna? Trilhas na vida, questões de nós existindo aqui, não quero morrer sozinha sem você aqui. Por favor me diga se o que temos é real! Então, e se eu nunca te abraçar, ou beijar seus lábios novamente? Eu não quero deixar você e as memórias que nós dois temos. Eu imploro não me deixe!

E agora, sobre questões pessoais e crises existenciais!

Me dê uma chance de ser a pessoa que eu quero ser. Eu sou inquebrável, eu estou me sufocando neste extase. Oh Senhor eu tentarei duramente mas você precisa me deixar ir. Me conserte, me liberte, eu preciso de uma nova chance para viver! Às vezes não sei por quê nós escolhemos viver do que morrer. Nós olhamos em direção ao céu para perguntarmos sobre nossas vidas. Nós podemos ter algumas respostas mas a maioria nos ignora. Não quero seu perdão porque não posso fazer o certo. Eu soube desde o início que essas boas idéias iriam te deixar louco, assustado, mas você pode me seguir. Eu estou muito estranha pra viver mas muito rara para morrer.

- "Eu vou tentar" - ela disse enquanto ele ia embora. - "Tentar não perder você." Ele respondeu: - "Eu queria poder ser aquele, aquele que não se importa afinal. Mas sendo aquele que suporta. Eu sei o caminho para ir, ninguém está me guiando. Aprisionado em mim estava seu coração. Eu sei que está machucando você, mas está matando a mim."
Ponha suas mãos ao meu redor e me aperte até eu não conseguir respirar. Esse ar prova morte dentro de mim, contribui para nossa epidemia. Quebre todas suas promessas, derrube com lágrimas essa fiel parede, prevenções são inúteis aqui, experimentar a salvação está perto.

Sobre saudade..


Como posso viver sem aqueles que eu amo? O tempo ainda vira as páginas do livro queimado. Lugar e tempo sempre na minha cabeça, tenho tanto pra dizer mas você está tão distante... Uma última música, um último pedido, um capítulo perfeito terminado. Volta e meia tento achar um lugar na minha mente onde você possa ficar você possa ficar acordado para sempre.

Nada é mais difícil do que acordar sozinho e perceber que não está tudo bem. É o fim de tudo o que conhece, o tempo continua passando, mas parece que ainda congelado nele. As cicatrizes são deixadas para trás, mas algumas são profundas demais para sentir e alguns dizem que isso não pode ser real e eu perdi o meu poder de sentir, hoje à noite. Nós todos somos apenas vítimas de um crime. Quando tudo se for e não puder ser recuperado, parece que não conseguiremos abrigar a dor dentro nós todos somos apenas vítimas de um crime.


E só pra terminar:



Aproveite o dia, ou morra lamentando o tempo que você perdeu!